segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dia Internacional das Comunicações e telecomunicações

17 de Maio

  Telecomunicações, o nome já diz, quer dizer comunicações à distância: tele (do grego têle = ao longe) + comunicações. Em nosso mundo atual, de relações internacionais cada vez mais estreitas e dependentes e, portanto, cada vez mais necessárias do ponto de vista social e econômico, as comunicações se apresentam como um domínio de extrema força.
Telecomunicações
  São vias imprescindíveis para a disseminação de ideologias e culturas, aproximando povos que vivenciam tanto realidades semelhantes quanto radicalmente diferentes.
  Através da telecomunicação, representada pelas chamadas infovias (rodovias da informação), não existem barreiras nem fronteiras possíveis. Satélites artificiais, fibra ótica, levam mensagens em forma de som, imagens ou dados informáticos, viabilizando a transmissão de um fato ou documento para vários lugares ao mesmo tempo. Mas, que bobagem, isso não é nada. É apenas a nossa realidade. A realidade do século XXI.

COMO TUDO COMEÇOU

  Tudo começou com o telégrafo, primeiro aparelho moderno de telecomunicação. Como no século XIX já eram conhecidas as leis da eletricidade e do eletromagnetismo, foi possível a Samuel Morse registrar, em 1840, a patente do telégrafo. Baseado em um código binário de pontos e traços (o chamado Código Morse), mensagens eram enviadas rapidamente a grandes distâncias. O método foi logo aceito no mundo todo.
  Tempos depois, em 1866, um cabo transatlântico já ligava a Europa à América, funcionando regularmente sem problemas. Não foi preciso mais que dez anos, após essa data, para que Alexander Graham Bell patenteasse o primeiro telefone. Também ainda naquele século, no ano de 1890, Heinrich Hertz fez uma descoberta importantíssima: as ondas eletromagnéticas, que contribuíram para a radiodifusão que viria a ser implantada futuramente. Era apenas o começo.

OS SISTEMAS UM A UM

Telégrafo

Funciona com um transmissor, cabo e receptor.

Telex

Da junção do telégrafo e da telefonia surgiu o telex, que transmite textos escritos à distância, por uma linha telefônica.

Radiotelefonia

Transmissão telefônica através de ondas eletromagnéticas ou hertzianas, também conhecida como telefonia sem fio (não se trata, no entanto, da telefonia móvel). Outro exemplo de sistema que funciona por meio dessas ondas é o radar.

Telefonia

Microfone que converte as ondas sonoras (voz humana, no caso) em impulsos elétricos.

Fax

Permite a transmissão de imagens via telefone, não só de textos, como é o caso do telex.

Modem

Converte a informação digital de um computador em sinais que serão enviados via telefone para outro computador (modulação). O computador receptor da mensagem faz o caminho contrário (o de desmodulação). Daí a palavra modem, originada das letras iniciais de duas outras palavras inglesas: modulation e demodulantion.

Video texto

Possibilita o acesso a grandes bases de dados, por linha telefônica, a partir de um aparelho terminal de videotexto. Os principais serviços oferecidos por esse sistema são: consulta a listas telefônicas, a contas bancárias, a horários e preços de passagens de trens, aviões, ônibus e compra de ingressos para espetáculos e encomenda de produtos para serem entregues em casa.

Telefonia móvel digital

As estações de telefone móvel são interligadas entre si, por cabos de fibra ótica ou por ondas de rádio terrestres e o sinal recebido pelo telefone móvel vem dessas estações.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Dia Internacional das Telecomunicações

17 de Maio

  A Interface entre uma Empresa de Telecomunicações e suas Fontes de Tecnologia: Um Estudo de Caso em uma Multinacional (MNC) Instalada no Brasil e um Centro de Pesquisa.
  Introdução
  As mudanças tecnológicas e políticas no cenário mundial têm provocado alterações significativas no contexto das organizações e na sua forma de se relacionar com os demais atores sociais. O avanço no setor de telecomunicações, em nível mundial, corrobora esta idéia. As empresas necessitam se adequar ao arranjo competitivo imposto pelo mercado, ampliando tanto sua capacidade interna de inovação e de incorporação de novos conhecimentos, como buscando novas fontes de tecnologia que sejam complementares, a fim de proporcionar um grande diferencial no mundo competitivo.
   Observa-se também a grande possibilidade de difusão da tecnologia por inúmeros canais, o que obriga as empresas a serem mais criativas, de modo a obter benefícios mais rápidos com a inovação, comparativamente com seus concorrentes e assim se destacarem no mercado. No setor de telecomunicações, as informações sobre tecnologia e inovação são de extrema importância, pois será por meio destas que as empresas desse setor conseguirão obter vantagens competitivas perante aos seus concorrentes.
   Assim, este estudo analisa o que faz com que uma empresa do setor de telecomunicações busque fontes de inovação e/ou tecnologia, como essa empresa seleciona estas fontes, quais são as fontes mais utilizadas para produtos e para processo, quais são as contribuições mais relevantes em relação a produtos e processos que estas fontes fornecem. Outro ponto analisado são os mecanismos utilizados pela empresa para garantir a transferência da tecnologia, tanto aquela contratada quanto à adquirida.
  II. Referencial Teórico
  II.1 As Fontes de Inovação e Tecnologia
  As fontes de inovação e tecnologia são de extrema relevância para a performance inovadora apresentada pelas empresas. De acordo com Quadros et alii (2001), os esforços tecnológicos realizados pelas empresas brasileiras são reduzidos, assim as atividades relacionadas à inovação deveriam ser identificadas de modo a explicar como a atividade inovadora no Brasil é desenvolvida.
  Daim et alii (1998) verificaram que dentre os possíveis canais de aquisição de tecnologia os mais importantes eram justamente o desenvolvimento interno, seguido pelos fornecedores, suporte à educação dos funcionários e encontros tecnológicos. Os autores concluíram que as fontes de aquisição tecnológica podem ser agrupadas em três fatores: a) a pesquisa e educação (Consórcio com universidades, Consórcio de pesquisa, Educação de funcionários, Faculdades, P&D externo); b) Redes de trabalho (Encontros tecnológicos, Periódicos, feiras); c) Desenvolvimento interno/ fornecedores, (Interno, Licença, Fornecedores).
  Barañano (1998), em um estudo com 652 empresas portuguesas, identificou como as fontes de inovação mais utilizadas para produtos ou serviços, a interligação com outras empresas; as associações com organizações externas de P&D; a imprensa, as feiras ou exposições; o departamento interno de P&D; as equipes interfuncionais; a inovação no equipamento adquirido; a relação próxima com concorrente, fornecedor, clientes-chave; as necessidades dos clientes; a análise minuciosa dos produtos concorrentes. Neste estudo a principal fonte para as empresas foi a necessidade do cliente, fato que ressalta a preocupação em adaptar novos produtos e serviços às exigências do mercado.
  Bicalho-Moreira e Ferreira (2000) destacam que a interação universidade-empresa é crucial para a sobrevivência e eficiência de ambas instituições bem como para o desenvolvimento tecnológico do país. Na universidade percebe-se a falta de uma definição clara do que é considerado atividade científica ou tecnológica. Essa característica pode ser resultado de vários fatores: culturais, econômicos, institucionais, ou então, a não existência de uma consciência, tanto da instituição quanto do pesquisador, da importância de tornar visíveis os resultados dos desenvolvimentos tecnológicos.
  2 O Processo de Inovação no Setor de Telecomunicações
  As telecomunicações vêm ocupando cada vez mais uma posição de destaque, em nível mundial, em face do intenso desenvolvimento tecnológico atribuído ao setor, e da globalização de atividades produtivas e financeiras.
  Segundo Szapiro (2000), o sistema de inovação das empresas do setor de telecomunicações está sofrendo mudanças drásticas. Durante as décadas de 70 e 80, o Brasil desenvolveu uma base de conhecimento no setor. O governo implementou políticas econômicas e industriais que resultaram na formação e no desenvolvimento de um sistema de inovação, altamente concentrado no interior de São Paulo, em Campinas.   As interações entre universidades, CPqD, produtores de equipamentos e companhias em operação desenvolveram uma base tecnológica para o setor telecomunicações. Entretanto, com a privatização do Sistema Telebrás, ocorreu uma atração de investimento estrangeiro no setor, não só no fornecimento de serviços, mas também para a indústria de equipamentos, e sem fortes instrumentos políticos, ocorreu uma redução de esforços tecnológicos locais.
  Szapiro (2000) observa que para as subsidiárias de MNCs, a principal fonte de tecnologia é a companhia mãe e estas não têm desenvolvido uma base tecnológica forte no local. Tal fato tem gerado um efeito negativo no sistema de inovação local. Como conseqüência, deste novo cenário, o CPqD , vem reduzindo o número de projetos de pesquisa e aumentando o número de consultorias e assistência tecnológica de curto prazo, o que tem gerado recursos para sua manutenção. O autor salienta sua grande preocupação com a dispersão da capacidade tecnológica brasileira devido a mudança estrutural ocorrida na década de 90, sinalizando a necessidade de medidas estratégicas governamentais para reconstruir o Sistema de Inovação em Campinas.
   Por outro lado, há a expectativa de que o fundo setorial FUNTEL - Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações, venha ao encontro a esta necessidade. Outro instrumento de ação política é a Lei da Informática nº10.176, de 11/01/2001 que objetiva a criação de inteligência nacional e o fomento ao setor.
   Brufato e Maculan (2000, p.9), no estudo sobre a dinâmica da inovação no setor de equipamentos de telecomunicações, concluem que não há interações entre as empresas locais. Também não há interações entre as empresas locais e as filiais de multinacionais instaladas no país, ou seja, “não há fluxos de tecnologia localizados no país. Essa limitada articulação das empresas locais com empresas internacionais restringe o acesso dessas empresas a novas tecnologias e a novos produtos, colocando o país em uma posição modesta no mercado mundial e revelando que o processo de inovação de geração de inovações é exógeno ao ambiente nacional”.
  III. Aspectos Metodológicos
  Esta pesquisa é um estudo de caso em um instituto de pesquisa e uma empresa multinacional fabricante de equipamentos para o setor, que segundo o modelo de Frassman (2001) encontra-se no nível 1 que abrange os fabricantes de equipamentos. O autor classificou o setor de telecomunicações em cinco níveis: I) Equipamentos; II)Operadora de Telefonia; III) Provedores de Acesso; IV) Sistemas de Busca e V)Informação Processada. Foram realizadas entrevistas em profundidade com os dirigentes da área de P&D para obtenção de informações sobre as fontes e arranjos para inovação que a empresa utiliza e com o diretor de inovação tecnológica de um Instituto de Pesquisa.
  IV. A Empresa Alpha
  A empresa analisada trata-se de uma multinacional, fabricante de equipamentos e softwares para o setor, a qual passa a ser denominada de Alpha. A matriz está localizada nos EUA, onde a empresa possui um dos maiores centros de pesquisa do mundo. É dentro desse centro de pesquisa que a maioria das inovações radicais são geradas para toda a corporação.
  IV.1 Fontes de Inovação e Tecnologia
  A empresa Alpha para entrar no mercado brasileiro adquiriu duas empresas brasileiras para incorporar a tecnologia de centrais telefônicas. Essas empresas desenvolviam a sua tecnologia internamente no país por meio de grupos de pesquisa próprios e institutos de pesquisa, os quais eram fomentados pela antiga lei nº 8248 de 23 de outubro de 1991, que mais tarde deu origem a lei nº 10.176 de 11 de janeiro de 2001.     Atualmente, a empresa não faz desenvolvimentos internos, mas continua investindo
recursos próprios e os da lei, para desenvolver novos projetos e tecnologias no País. A empresa investe em parcerias com universidades e centros de pesquisa, tais como: UFMG, PUC-MG, UNICAMP, PUC-RJ, INATEL, CÉSAR, FITec e o CPqD.
  O trabalho desenvolvido com as universidades em conjunto com a empresa Alpha é um pouco diferenciado, pois a experiência de parceria com essas instituições, segundo o entrevistado, tem apresentado dificuldades ao longo dos projetos. Dentre as dificuldades mais relevantes foram destacados os custos elevados quando a empresa deseja ser detentora exclusiva dos resultados, já que essa é uma política interna da organização. No quesito negociação, geralmente estas têm sido avaliadas como muito burocráticas. A avaliação da empresa é que as universidades apresentam dificuldades para atingir os prazos nos projetos de cooperação. Dessa forma, quando a empresa deseja gerar inovações, opta buscar associação com as fundações ou institutos de pesquisa em razão destes apresentarem um comportamento mais ágil. Esse cenário decorre em parte da atual posição que as universidades têm perante a indústria, uma vez que priorizam a sua independência e têm-se dificuldades para trabalhar com prazos rígidos, enquanto a empresa visa resultados em prazo determinado.
Um outro ponto de divergência é a discussão da propriedade dos resultados das pesquisas, uma vez que as indústrias, em geral, requerem 100% da propriedade intelectual e muitas universidades não aceitam esta situação, já que possuem políticas de divisão da propriedade industrial, as quais diferem conforme a instituição de pesquisa.
  Quando o objetivo é o desenvolvimento de pesquisa básica e capacitação tecnológica, desenvolvimento de cursos específicos e treinamento do pessoal, estes são realizados nas universidades, que revelam possuir maior competência nestas atividades. No caso de desenvolvimento dos softwares, a parceria com universidades também tem sido avaliada como bem sucedida.
  A empresa desenvolve grande número de pesquisas básicas com o centro de P&D da matriz; estas pesquisas não necessitam de um fim específico, sendo dirigidas para romper fronteiras do conhecimento. Tal fato corrobora os estudos de Galina (2001) e Gasmam et alii (1999), quando destacam que as estruturas de P&D estão se tornado cada vez mais globais. Quando a intenção da empresa Alpha é o desenvolvimento de novas tecnologias consideradas estratégicas, ela não desenvolve projetos de cooperação com as universidades, pois não consegue ter um gerenciamento adequado para manter o sigilo das novas tecnologias.
  No Brasil, a empresa concentra-se em pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico específico para atender metas internas de desenvolvimento científico. Com as fundações e centros de pesquisa, citados anteriormente, a empresa realiza projetos de pesquisa e desenvolvimento de produtos.
  IV.2 Seleção das Fontes de Tecnologia
  Para selecionar as fontes de inovação acima citadas, a empresa Alpha possui um grupo que visita universidades e institutos de pesquisa e classifica-os segundo as suas melhores competências, com o propósito de melhorar a transferência da tecnologia e monitorar as tendências tecnológicas. O Gerente de P&D citou como exemplo deste procedimento alguns centros de pesquisa e universidades que possuem uma área com competência diferenciada. Dentre os exemplos, destaca-se o INATEL na área de telecomunicações, a UFMG, na área de telemática e o CESAR - Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, no desenvolvimento de software.
  A empresa, normalmente, também envia um ou mais funcionários para o centro de pesquisa localizado nos EUA, para fazer um estágio a fim de trazer conhecimentos inovadores. Segundo o gerente de P&D da organização estudada, os pesquisadores brasileiros possuem muita competência e são reconhecidos nesse centro. Devido a essa característica, a empresa desenvolve projetos em parceria com a matriz para o mercado internacional, além dos projetos específicos para o mercado brasileiro. Essa também é uma maneira que a empresa utiliza para buscar inovação.
  Outro mecanismo utilizado pela empresa para inovação tecnológica é a Intranet, onde há muitos cursos de treinamento disponíveis; além disso, informações sobre tudo o que está sendo desenvolvido por toda a corporação também se encontra na Intranet. Nessa rede há, também, uma troca de informações entre os pesquisadores via tele-conferências. A empresa é muita aberta em relação à disseminação das informações, o que revigora a capacidade inovativa da empresa.
  O papel do cliente tem sido importante dentro do processo de inovação da empresa. A organização faz monitoramento dos concorrentes, pois o mercado de telecomunicações está sempre sofrendo mudanças rápidas e os produtos têm um ciclo de vida muito curto, assim se faz necessário estar à frente do concorrente.  Além deste estar se tornando muito fragmentado.
  As operadoras, que constituem-se no consumidor final da empresa Alpha, participam na definição dos produtos que eles desejam, destacando os custos e as especificações que gostariam que fossem atendidos, assim a empresa busca antecipar o que o seu consumidor final realmente necessita.
  A empresa também monitora as tecnologias comercializadas junto às operadoras, a fim de manter sua operacionalidade e sanar eventuais deficiências, ou fazer melhorias, ou mesmo simplificar processos. Tudo isso é feito para minimizar esses problemas, por meio de processos inovadores.
  Observa-se que as tecnologias desenvolvidas pela corporação, na sua maioria são inovadoras, sendo esta uma tendência do setor de telecomunicações. As inovações incrementais, ou seja, as melhorias, são mais freqüentes em atendimento a solicitações por parte das operadoras.
  Segundo o entrevistado, a participação da empresa na geração do conhecimento em relação à corporação como um todo é pequena, entretanto, no Brasil a sua representação é expressiva no desenvolvimento de produtos.
  IV.3 Fontes mais utilizadas e Gerenciamento dos Projetos
  A fonte mais utilizada pela empresa, tanto para produtos quanto para processos, é o centro de pesquisa da matriz localizado nos EUA. Os processos são desenvolvidos sempre pela matriz devido à universalização dos processos produtivos utilizados nas diferentes plantas.
  Já os equipamentos desenvolvidos no Brasil são sempre desenvolvidos em conjunto com as fundações e institutos de pesquisa. Pesquisadores da empresa responsabilizam-se pelas especificações a serem atendidas; além disso, empregados da empresa participam diretamente do projeto em conjunto com essas fundações e institutos, de maneira a garantir um melhor gerenciamento do desenvolvimento, podendo colocar mais pessoas quando o projeto está atrasado, ou mais recursos financeiros quando for necessário. Além disso, por meio deste grupo interno a transferência de tecnologia é feita naturalmente ao longo do processo de desenvolvimento dos projetos.
   Outra característica observada pela empresa é o fato de que o desenvolvimento de projetos com as universidades é mais barato do que o desenvolvimento interno, apesar dessas instituições terem dificuldades em cumprir prazos, no caso de projetos de pesquisa aplicada.
   O gerenciamento dos projetos internos é feito por gestores específicos para cada projeto com o suporte de uma ferramenta de controle, que atualiza diariamente a situação dos projetos. O controle dos projetos é realizado por meio do acompanhamento das horas gastas em cada atividade, dos custos, do número de pessoas que estão trabalhando e das compras realizadas. Já as universidades e os centros externos possuem ferramentas próprias, e, desta forma, para que a empresa acompanhe os resultados são feitas reuniões semanalmente.
  Os centros mais usados pela empresa são CETUC, CESAR, USP, UNICAMP, CPqD, INATEL e FITec. A matriz não possui contatos diretos com esses centros e fundações. Todos os projetos realizados no País são coordenados pela organização brasileira junto a esses centros, sem triangulação.
  Quando a tecnologia é desenvolvida pela matriz, o processo de produção é importado e na subsidiária são feitas as melhorias dos processos e adaptações ao mercado brasileiro, caracterizando a tropicalização dos produtos. No desenvolvimento de produtos em conjunto com a matriz, ou gerados no Brasil, para garantir a transferência de tecnologia, são enviadas várias pessoas do Brasil para o centro de pesquisa da corporação.   No caso das patentes, quando a tecnologia é desenvolvida no Brasil, ela é patenteada também nos EUA, com o nome do pesquisador, sendo os direitos atribuídos à empresa local.
  V. O Centro de Pesquisas Beta
  O Centro de Pesquisas Beta foi criado, na década de 70, com o intuito de desempenhar um papel estratégico na capacitação tecnológica brasileira no setor de telecomunicações. Integrava uma grande empresa estatal e o Governo Federal o tinha como instrumento de política setorial. Como a economia brasileira pautava-se pelo modelo de substituição de importações, era atribuída ao Centro de Pesquisas a tarefa de liderar as iniciativas de desenvolvimento local em tecnologias de telecomunicações, articulando as atividades empreendidas por Universidades, empresas e demais centros de pesquisa, por meio da concepção e desenvolvimento de equipamentos e sistemas. Nesse período o centro possuía grande demanda devido ao poder de compra do Estado. A oportunidade tecnológica dessa época foi a quebra do paradigma no setor de telecomunicações, com a transição da tecnologia analógica para a tecnologia Digital, mudando assim o perfil dos produtos e fazendo com que o Brasil não tivesse uma defasagem muito grande quando comparado com os outros países.
   Até então o modelo era composto por um tripé, Indústria – Centro de Pesquisas Beta - Universidades (Recursos Humanos,) que se configurava como uma base consistente para o desenvolvimento de novas tecnologias. As principais universidades que participaram de pesquisas conjuntas eram a Unicamp, a PUC-Rio, a USP, o ITA e a UFMG. O centro era responsável pela transformação do conhecimento gerado pelas atividades de pesquisa em produtos industrializáveis. Nesse período surgiram várias empresas por estímulo da política de tripé e que vieram a se beneficiar, junto com outras já existentes, da transferência de tecnologia gerada pelo centro, podendo-se citar os exemplos da Promon Eletrônica, Xtal, Avibrás, e Elebra.
os anos 90, iniciou-se o processo de abertura da economia brasileira, ocorrendo no setor uma grande entrada de produtos estrangeiros, o que enfraqueceu substancialmente a posição da indústria nacional. Por outro lado, as empresas operadoras de telecomunicações procuraram tornar-se mais dinâmicas, buscando um aumento das suas receitas e a redução de seus custos, tornando-se oportuna a automação dos processos internos por meio de software. Este movimento na direção de maior dinamismo poderia ser interpretado como uma antecipação do jogo da liberalização do mercado de telecomunicações, seja no sentido de proteger-se de futura concorrência, seja no sentido de melhorar a sua posição no momento da privatização.
Nesse novo contexto, o Centro de Pesquisas Beta passou a enfatizar o desenvolvimento de aplicativos de software, como por exemplo, o SAGRE (sistema de gerenciamento da planta por meio de informações geográficas). O desenvolvimento de hardware passou a ser feito de forma bastante seletiva, destacando-se apenas o projeto da central telefônica Trópico e da tecnologia de telefone público a cartão indutivo (TPCI).
  V.1 Transformação do centro em uma fundação de direito privado
  Com a privatização das empresas de telecomunicações, o Centro de Pesquisas foi transformado em uma fundação de direito privado. Assim, o centro foi posto diante do desafio de transformar suas competências acumuladas – conhecimentos, sistemas, tecnologias – em recursos aptos para garantir a sobrevivência da instituição em um ambiente de mercado.
  O Centro de Pesquisas, após essa mudança institucional, passou a ter uma dupla função, a primeira voltada para o mercado, para a comercialização direta de seus desenvolvimentos e a segunda de caráter estratégico, voltada para preservação da competência em pesquisa e desenvolvimento, conforme preconizado em lei federal. Do ponto de vista temático, o centro intensificou a sua concentração no desenvolvimento de software, sem, contudo abandonar o perfil de atividades adotado ao longo da década de 90.
  V.2 Comercialização de tecnologia e oportunidades de negócios
  O Centro Pesquisas Beta se apresenta como fonte de tecnologias sob três formas principais: provedor de serviços tecnológicos de telecomunicações, provedor de tecnologias de equipamentos e sistemas de telecomunicações e provedor de sistemas software para telecomunicações.
Esta última forma é a que deverá ter maior peso do ponto de vista comercial, pois é onde acredita-se que estejam as maiores oportunidades brasileiras no novo cenário mundial das telecomunicações.
  A instituição também manteve uma competência para transferir para a indústria a tecnologia gerada nos projetos de P&D. Algumas empresas que possuem um interesse específico em determinadas tecnologias podem concretizar essas oportunidades propondo projetos em parceria com o centro e utilizando mecanismos governamentais, como os incentivos da lei da informática e os recursos do FUNTTEL. Esta é uma área que apresenta um grande potencial para a instituição, seja pelo lado da receita, seja pelo lado do benefício para as empresas do país.
  Outros produtos vendidos pelo Centro são as consultorias e os ensaios laboratoriais para homologar e certificar equipamentos para as indústrias. No caso dos ensaios, o centro prepara relatórios e emite certificados para verificação, por exemplo, da qualidade do produto. A instituição é credenciada pelo INMETRO e outras instituições do gênero. A ANATEL é um grande usuário dos serviços e consultorias do Centro, em razão da grande vantagem competitiva que este detém, pois congrega competência tecnológica ao conhecimento do mercado brasileiro.
  Segundo o Diretor de Gestão da Inovação do Centro, vislumbram-se, no momento, grandes oportunidades no desenvolvimento de novos serviços de telecomunicações para as operadoras, no fornecimento de aplicativos de software para suporte a operação e negócios dessas prestadoras e, de uma forma geral, serviços e software para aquelas empresas que desejam utilizar tecnologias de telecomunicação e tecnologia da informação voltadas para a melhoria dos seus produtos e processos.
  O fornecimento de tecnologia (hardware) para as indústrias sem o apoio do governo não é mais a principal forma de comercialização de tecnologia da instituição. O entrevistado ressaltou que a maioria das empresas operadoras e fornecedoras de equipamentos de telecomunicações são de origem estrangeira e possuem centros de P&D próprios em seus países de origem. Hoje, no Brasil, são poucas as instituições nãoacadêmicas que possuem um trabalho independente com linhas de pesquisa próprias, podendo-se citar o CPqD, CERTI, LACTEC e CESAR.
  Uma possibilidade interessante para desenvolvimento tecnológico é explorar certas exigências da nova regulamentação das telecomunicações como o desenvolvimento de tecnologias que venham permitir a desagregação do acesso à casa do usuário (unbundling). Outra oportunidade é o desenvolvimento de aplicativos de software de telecomunicações adaptados para uso no setor elétrico.
 VI. Considerações Finais:
 Uma vez que esta pesquisa está em andamento e, ainda não foi possível alcançar o seu objetivo principal que é verificar como funciona a dinâmica da inovação das empresas fabricantes de equipamentos do setor de telecomunicações, o estudo ora apresentado está restrito a apenas uma das empresas e um dos centros de pesquisa.
  Observa-se que a empresa estudada segue a mesma tendência apresentada por Barañano (1998) e Daim et alii (1998) em que as principais fontes de inovação identificadas foram o departamento interno de P&D, o consórcio com universidades, as associações com organizações externas de P&D, e as necessidades dos clientes.
  A empresa Alpha utiliza principalmente como fontes de tecnologia a fundação interna, as universidades, centros de pesquisa como: o CÉSAR, o INATEL e o CPqD; e tem o cliente final como fator chave no processo de inovação, fato que comprova a preocupação em adaptar novos produtos e serviços às necessidades do mercado, corroborando com a colocação feita por Baranãno (1998).
  Outra atuação observada é a interação empresa-universidade, a qual ainda apresenta algumas dificuldades. Na ótica da empresa não há uma definição clara da postura das universidades perante as mesmas, o que pode ser causado pelos fatores culturais, econômicos e institucionais. Isso demonstra que há uma necessidade de mudança na postura das empresas e universidades para que o intercâmbio de informações e conhecimentos seja mais efetivo e dinâmico.
  Outra evidência é que a empresa Alpha realiza somente desenvolvimento tecnológico, no Brasil, ou seja, a adaptação de novos produtos e/ou produção de produtos novos que atendam as necessidades do cliente. As inovações revolucionárias são realizadas na matriz, o conhecimento é gerado fora do país, contribuindo assim para a fragilidade da infra-estrutura científica do País.
  Em relação ao centro de pesquisa, observa-se que este vem se adaptando às mudanças organizacionais e as necessidades do mercado. O atual foco é oferecer para o mercado novos serviços, empregando novas estratégias, que inclui atender outros setores que não sejam somente o setor de telecomunicações. Com a nova configuração, o centro deixou de ser o player para o desenvolvimento da pesquisa nacional, fato que contribuí para a dispersão da capacidade tecnológica brasileira.
  VII. Referências Bibliográficas:
Barañano, A. M.. A Relação entre a Inovação e a Dimensão de Empresas, XX Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, 1998.
Bicalho-Moreira, Lucinéia Maria; Ferreira, Marta Araújo Tavares. Inovação Tecnológica na Universidade: Representação nos indicadores de ciência e tecnologia. XXI Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, 2000.
Brufato, Aline Winckler; Maculan, Anne-Marie. A Dinâmica da Inovação no Setor de Equipamentos de Telecomunicações, XXI Simpósio de Gestão da Inovação Tecnológica, 2000.
Daim, T.; Kocaoglu, D. F.. Technology Acquisition in the US Electronics Manufacturing Industry, Management of Technology, Sustainable Development and Eco-Efficiency, 1998.
Galina, Simone Vasconcelos Ribeiro. O envolvimento do Brasil no desenvolvimento tecnológico do setor de telecomunicações medido através de indicadores quantitativos – concessão de patentes e dados bibliométricos, 3° Congresso Brasileiro de Gestão de Desenvolvimento de Produto, Florianópolis, 25-27 setembro de 2001.
Krogh, G. V. Care in Knowledge Creation, California Management Review, 40(3):1998.
Leonard, Barton. Building and sustaining the sources of innovation, Strategy & leadership Julho/ agosto, 1997.
López, Vladimir. How R&D is Changing, The OECD OBSERVER, n. 213, 1998.
Quadros, Ruy; Furtado, André; Bernardes, Roberto; Franco, Eliane. Technological Innovation in Brazilian Industry: An Assessment Based on the São Paulo Innovation Survey, International Journal of Technological Forecasting and Social Change, 67(2): 2001.
Stuck, Bart; Weingarten, Michael. The Death of Innovation? Business Communications Review, Abril, 1997.
Szapiro, M. H. S. Technological Capability in Telecommunications Industry in Brazil. Development and Impacts of the Structural Reform in the 90s. Anais da 4 th Internacional Conference on Technology Policy and Innovation, Curitiba, 28 a 31 agosto, 2000.
Fonte: www.fearp.usp.br

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